1 de dezembro de 2009

As Antigas Canções

As Antigas Canções

Rev. Chris Coleborn

Em todas as eras as canções têm dado expressão aos mais profundos sentimentos e crenças da humanidade – elas expressam as nossas ânsias, amores, alegrias e tristezas. Elas são uma parte maravilhosa da cultura de todas as nações.

Milhares de canções são escritas cada ano em todas as terras e línguas. O apelo delas é universal. Algumas canções tradicionais podem ser lembradas por várias gerações. A maior parte das canções no entanto são populares apenas por um pouco de tempo. As canções "Pop" podem estar no top das tabelas por algumas semanas, mas logo outras as substituem. A maioria passa ao esquecimento.

Para uma canção ser regularmente cantada e apreciada para além dum par de séculos é formidável. Algumas até duraram por mil anos; tal era a beleza e verdade das letras. Porém, uma das mais antigas canções tem cerca de três mil e quinhentos anos de idade. Foi escrita por Moisés depois dos filhos de Israel terem saído do Egipto por volta de 1400 AC. É o Salmo 90. Durante todos estes três mil e quinhentos anos esta canção tem sido regularmente cantada e apreciada. De facto, a maior parte dos Salmos têm cerca de três mil anos de idade e a maioria foi escrita pelo Rei David de Israel que viveu aproximadamente no ano 1000 AC. Não é isto extraordinário?

Para as canções durarem por tanto tempo, elas precisam ter grande beleza e valor. Que elas ainda sejam cantadas e lidas regularmente hoje à volta de toda a terra diz-nos de verdades intrínsecas que foram ao encontro das mais profundas necessidades de toda a raça humana. Os Salmos falam-nos de verdades que resistem ao longo de todas as gerações de pessoas e todas as condições da humanidade. Estas mais antigas das canções apontam respostas às grandes questões da vida. Elas falam de um Todo-Poderoso, Imutável Deus, que é Criador e Juiz de todos. Nelas nós encontramos a nós próprios e as nossas mais profundas limitações e necessidades descritas. Nós somos apontados às respostas para a vida e morte, e onde possamos encontrar verdadeira e eterna vida, paz e segurança. Elas apontam-nos a Deus e à Sua obra em Cristo Jesus.

Não são estas canções então verdadeiramente valiosas de ler, digerindo e levando ao coração? Se nós tirarmos o tempo de as ler, nós encontraremos crenças para a vida que foram provadas verdade ao longo de milhares de gerações de homens. Estas são as verdades que precisamos hoje, não as passageiras modas e ideias que tantas das superficiais, fugazes canções "pop" incorporam. Leiam por exemplo o Salmo 23 do Senhor sendo um pastor para aqueles que confiam nele e seguem-no. No Salmo 100 nós temos uma chamada a alegrarmo-nos no conhecimento de que há um criador e sustentador do mundo. O Salmo 90 fala de um que permanece e é fiel em todas as eras e gerações, em contraste com o passar da humanidade. Porque não as lês e buscas apreciar as maravilhas delas, pois elas não são nada menos do que canções que Deus na Sua bondade nos tem dado.

http://www.epc.org.au//historical/the-oldest-songs-2.html


fonte:.cprf.co.uk

João Calvino sobre Cantar Salmos na Igreja

João Calvino sobre Cantar Salmos na Igreja

Quanto a orações públicas, existem dois tipos: a que consiste em palavras apenas; a outra inclui música. E isto não é uma invenção recente. Pois desde o início da Igreja que tem sido desta maneira, como podemos aprender nos livros de história. Nem o próprio São Paulo fala de oração por palavras apenas, mas também de cantá-las. E, na verdade, sabemos por experiência que a música tem um grande poder e força para mover e inflamar os corações dos homens para invocar e louvar a Deus com um coração mais veemente e ardente. Devemos sempre atentar com receio de a canção ser leve e frívola, mas ela deve ter sim peso e majestade, como diz Santo Agostinho. E assim, há uma grande diferença entre a música que é feita para entreter as pessoas em casa e na mesa, e os Salmos, que são cantados na igreja, na presença de Deus e Seus anjos. Portanto, se alguém desejar rectamente julgar o tipo de música aqui apresentado, esperamos que ele irá encontrá-la ser santa e pura, vendo que ela é simplesmente feita para a edificação de que temos falado, e para qualquer utilidade mais que se possa colocar. Porque mesmo em nossos lares e fora de portas que seja um incentivo para nós e um meio de louvar a Deus e levantando os nossos corações a Ele, de modo que possamos ser consolados através do meditar sobre Sua virtude, Sua graça, Sua sabedoria, e Sua justiça. Porque isto é mais necessário do que alguém poderá dizer.

Dentre todas as outras coisas que são adequadas para a recriação do homem e para lhe dar prazer, a música, se não a primeira, está entre as mais importantes, e temos de considera-la um dom de Deus feito expressamente para esse efeito. E por esta razão, temos de ter tanto mais cuidado para não abusar dela, por medo de adulterarem ou de contamina-la, convertendo para nossa perdição o que se pretende para o nosso lucro e salvação. Se ainda por esta razão apenas, nós pudéssemos ser justamente movidos a restringir o uso da música, para fazê-la servir somente o que é respeitável e nunca usá-la para desenfreados desvarios ou para nos inundar com incontrolado prazer. Nem deveria levar-nos à lascívia ou poucas vergonhas.

Mas mais do que isto, não existe quase nada no mundo que tenha maior poder de dobrar a moral dos homens desta forma, ou que, como Platão sabiamente observou. E, de facto, encontramos a partir da experiência que tem um insidioso e quase incrível poder de mover-nos para onde quer. E por esta razão temos de ser os mais diligentes para controlar a música de tal modo, que irá servir-nos para o bem e de forma alguma nos prejudicar. Esta é a razão pela qual os antigos doutores da igreja se queixavam de que o povo de seu tempo era viciado em músicas ilícitas e desavergonhadas, ao que eles tinham razão para chamar o mortal veneno de Satanás, corruptor do mundo.

Agora, no tocante à música eu reconheço duas partes, a saber, a palavra, que é o assunto e texto, e a canção ou melodia. É verdade, como diz São Paulo, que todas as palavras torpes vão corromper e perverter a boa moral. Mas quando melodia vai com elas, elas irão atravessar o coração muito mais poderosamente e penetrar adentro. Assim como o vinho é afunilado para dentro de um barril, assim é o veneno e a corrupção destilada para a própria profundeza do coração pela melodia.

Então o que deveremos fazer? Deveríamos ter músicas que não são apenas certinhas, mas santas, que irão impulsionar-nos a orar e louvar a Deus, para meditar sobre Suas obras, de modo a amá-lo, a temer a Deus, para honrá-lo, e glorificá-lo. Porque o que Santo Agostinho disse é verdade, que ninguém pode cantar nada digno a Deus excepto o que tem recebido de Deus. Portanto, onde quer que olhemos procurando ao longe e ao largo, não vamos encontrar nenhumas músicas melhores, nem mais adequadas para esse efeito do que os Salmos de David, que o Espírito Santo fez e transmitiu a ele. Assim, cantando-os, poderemos ter a certeza de que nossas palavras vêm de Deus como se Ele viesse a cantar em nós para a Sua própria exaltação. Portanto, Crisóstomo exorta tanto os homens, como as mulheres e crianças para se habituarem a cantá-los, para desta maneira por este acto de meditação nos tornarmos como um com o coro de anjos.

Então, também temos de ter em mente o que diz São Paulo, que as canções devocionais só podem ser cantadas bem apenas pelo coração. Agora o coração implica inteligência, que, diz Santo Agostinho, que é a diferença entre o canto dos homens e das aves. Porque apesar de um pintarroxo, um rouxinol, ou um papagaio cantarem tão bem, será sem entendimento. Agora é dom do homem de ser capaz de cantar e de saber o que é que está cantando. Depois da inteligência, o coração e as emoções devem seguir-lhe, e isso só pode acontecer se nós tivermos o hino gravado na nossa memória para que ele nunca cesse.

E, por conseguinte, o presente livro não precisa de muita recomendação de mim, vendo que em si possui o seu próprio valor e canta seu próprio elogio ou louvor. Apenas deixe o mundo ter o bom senso de deixar de cantar aquelas músicas, em parte, vãs e fúteis, em parte, estúpidas e aborrecidas, em parte sujas e vis e em consequência más e destrutivas - e que exerceu o seu direito até agora, e usar estes divinos e celestiais Cânticos com bom rei David. Quanto à melodia, parecia melhor moderá-la da maneira que temos feito, de modo a dar-lhe a gravidade e a majestade que convém ao seu tema, e que pode mesmo ser adequado para cantar na igreja, de acordo com aquilo que foi dito.

(Do Prefácio de Calvino para o Saltério de Genebra de 1543)

João Calvino comentando I Coríntios 14:15: "Quando ele diz, cantarei salmos, ou, cantarei, ele faz uso de uma instância específica, ao invés de uma declaração geral. Pois, como os louvores de Deus eram o assunto dos Salmos, ele quer dizer pelo canto dos Salmos - bendizer a Deus, ou render graças a Ele, porque em nossas súplicas, ou pedimos uma coisa a Deus, ou reconhecemos algumas bênçãos atribuídas a nós. A partir desta passagem, ao mesmo tempo deduzimos, que o costume de cantar já estava nessa altura em uso entre os crentes, como parece também por Plínio, que escrevendo cerca de quarenta anos depois da morte de Paulo, menciona que os cristãos estavam habituados a cantar Salmos a Cristo antes do amanhecer. E eu de facto também não tenho quaisquer dúvidas que desde o início eles adoptaram o costume da Igreja Judaica de cantar Salmos."

Tradução: http://soberanagraca.blogspot.com/

fonte: cprf.co.uk

O que é a Fé Reformada?

O que é a Fé Reformada?

Rev. Ron Hanko

Os profetas do Antigo Testamento, advertiram a Judá, relativamente aos grandes perigos que enfrentaram: "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos" (Os. 4:6). Amos advertiu, "Eis que vêm os dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor" (Amos 8 :11).

A nossa grande preocupação é que a situação nos nossos dias e nesta terra é realmente semelhante aos dias dos profetas de antigamente. A revista Times afirmou em 30 de Jan., 1993 à questão: "Qual é a situação real [na Inglaterra]? Acreditando, que os cristãos praticantes são um pequeno punhado de nossa nação. Noventa por cento ou mais dos nossos cidadãos não têm quase nenhum conhecimento do cristianismo." Isto é um triste comentário. Nesse "minúsculo punhado" existem grandes divergências de fé. Há certamente uma grande necessidade de que a fé Reformada seja proclamada.

Porque é que a situação como ela é actualmente? Vivemos nos "últimos dias" (At. 2:17). Durante este período de tempo, a palavra de nosso Senhor está a ser cumprida que muitos se desviam (I Tm. 4:1) e o amor de muitos "se esfria" (Mt. 24:12). No próprio mundo, é o materialismo grosseiro que tem envenenado a sociedade. Temos a louca corrida por mais e mais entretenimento, muitas vezes dos tipos mais abomináveis. Os escarnecedores continuam a zombar, perguntando: "Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação" (II Pedro 3:4).

A situação nas igrejas é quase tão má. A apostasia abunda. Há um massivo abandono dos "caminhos antigos" (Jer. 6:16). Existem os "lobos em peles de cordeiro" (Mt. 7:15). A profecia da Escritura está sendo realizada: "e que dentre vós mesmos se levantarão homens, falando coisas perversas para atrair os discípulos após si" (At. 20:30). Há novamente uma crescente pressão para a união de todas as igrejas e denominações. A doutrina é considerada irrelevante. "Novas" teologias surgem. As ovelhas, ao que parece, estão prestes a serem devoradas pelos lobos raivosos. A nossa garantia então só pode estar na Palavra de Cristo, "Nenhum homem pode arrebatar-vos para fora da minha mão" (Jo. 10:28).

Nestes tempos angustiantes, a Palavra de Cristo vem então em alto e bom som, " Eis que estou à porta e bato ..." (Ap. 3:20). Tal como Ele outrora ficou na porta da igreja de Laodicea, chamando para fora os fiéis que permaneciam nessa igreja apóstata, assim Ele chama ainda hoje. O povo de Deus tem fome da Palavra. Muitos não estão sendo alimentados. Eles estão recebendo "pedras por pão." Cristo convida a sair e cear com ele em torno de Sua Palavra que permanece para sempre.

Portanto, nós da Comunidade da Aliança Reformada Protestante (Covenant Protestant Reformed Church), pretendemos formar um elo entre todos aqueles que amam a fé Reformada e desejam ainda os "antigos caminhos." Nós temos desejamos estabelecer, sempre que tal seja possível, igrejas que corajosamente proclamem as velhas verdades.

Qual é a fé "Reformada"? Por "fé," referimo-nos ao corpo da verdade que emerge da própria Escritura. Falamos da fé "reformada", não como se fosse uma espécie de substituto para a fé escritural. Há afinal, somente um objectivo conjunto de verdades que é apresentado na Escritura.

Por "reformada," gostaríamos de distinguir-nos de outros, que duma ou outra forma se desviam da "fé" estabelecida na Palavra de Deus. Empunhamos as verdades da Escritura como que têm sido sistematicamente resumidas nas Normas de Westminster e as Três Formas de Unidade, ou seja, o Catecismo de Heidelberg, a Confissão Belga, e os Cânones de Dort.

O que é, então, a fé Reformada (que é escritural)?


A soberania de Deus

Em primeiro lugar, a fé reformada enfatiza a soberania de Deus. Será que isto distingue-a dos outros que também ensinam a soberania de Deus? Sim, distingue. Estamos convencidos de que a fé reformada mantém a verdade da soberania de Deus de forma consistente. Todos os cristãos certamente concordariam que Deus é soberano. Ele governa sobre tudo. Mas repetidamente encontramos doutrinas e práticas que contradizem a verdade da soberania de Deus. A fim de satisfazer raciocínio humano, há aqueles que insistem na "vontade livre" de todos os homens de aceitar ou rejeitar a Cristo, como querem. Há aqueles que apresentam um Cristo que bate à porta do coração do pecador, suplicando por admissão (mal interpretando Ap. 3:20). Há aqueles que ensinam que o número final da eleição de Deus não é determinado por Deus desde a eternidade, mas pelas actividades do homem. Há aqueles que ensinam que Deus ama todas as pessoas, ainda que no final Ele lance algumas em inferno. Outros ensinam que seria por causa do amor de Deus por todos, que Ele não pode lançar nenhuma delas no inferno.

A fé Reformada consistentemente mantém a soberania de Deus. Ele criou, em seis dias literais (Gn. 1), e continua a manter todo o seu universo. Ele também dirige e controla todos as criaturas morais e racionais. Ele desde a eternidade determinou a salvar alguns (os eleitos) através do sangue do Cordeiro (Ef. 1:4) e determinou que outros seriam lançados no inferno, por causa de seus pecados (Rm. 9:22). Jamais Deus devolve qualquer aspecto de seu Governo nenhum sentido. Todas as doutrinas da igreja de Cristo devem estar em conformidade com isso. A Igreja não pode "ajustar" a soberania de Deus para se acomodar à ideia do que o homem acha que é justo e certo. Pelo contrário, confissão do homem deve ser conformada com a grande verdade da soberania de Deus. (Em relação a isto, recomendamos a edição da Baker do empolgante livro de Arthur W. Pink, A Soberania de Deus.)


As Infalíveis Escrituras

O conhecimento do Deus soberano não deriva do homem através de pesquisa, mas pela revelação do próprio Deus. A fé reformada mantém a inerrância da Sagrada Escritura, a sua infalibilidade e inspiração. É a Palavra "soprada por Deus" (II Tm. 3:16) falada por Cristo (Jo. 1), para que possamos conhecer e compreender o que Deus ia revelar de si mesmo. Sem essa palavra que não poderíamos ter conhecimento determinado. Com ela, temos testemunho confiante e certo relativo a Deus e relativamente ao Seu Filho Jesus Cristo, e à obra de Cristo em resgatar e gerar a Sua igreja.


O Pacto da Graça

A fé reformada mantém a grande verdade do "pacto de graça." Afirmamos sucintamente as nossas próprias convicções relativas ao ensino da Escritura a este respeito.

O pacto de graça deve ser entendido à luz da Santíssima Trindade. Os três num só Deus (Pai, Filho e Espírito Santo) eternamente coexistentes e unidos em si perfeitamente. É uma comunhão que pede a descrição humana e ultrapassa a compreensão do homem. No entanto a verdade da comunhão pactual com Ele mesmo é a base do pacto de graça. O Deus Triúno eternamente determinado a revelar fora de si mesmo a glória da comunhão, como existe em si mesmo. Ele determinou mostrar da forma mais elevada uma comunhão com um povo eleito escolhido eternamente em Cristo.

Uma boa compreensão desta obra de Deus enlaça juntamente as diversas verdades maravilhosas da Escritura. A palavra de Deus mostra que este pacto é "unilateral", ou seja, não estabelecido entre duas partes, mas sim pelo próprio Deus directamente (Gn. 15:17-18). É um pacto inquebrável, em que, quando Deus estabelece-lo com o Seu povo, continua por toda a eternidade (Gn. 17:7). Essa aliança não é uma espécie de acordo em que Deus toma o Seu povo para o céu, mas é o fim ou objectivo que Deus tem em mente (Gn. 17:7). É a promessa que Deus tem o prazer de estabelecer na linha de gerações (Gn. 17:7). Foi verdadeiramente dito, "Ele reúne a Sua semente da nossa semente." Nem todos os nascidos de pais crentes fazem parte do pacto (Rm. 9:13). Mas as sementes espirituais são salvas (Rm. 9:7). Deus traz outras pessoas do paganismo, mas depois incorpora também a sua semente espiritual no corpo de Cristo (At. 16:27-33).


Os cinco pontos do calvinismo

A fé reformada é frequntemente associada com o que é chamado os "cinco pontos do calvinismo." Esses "cinco pontos," de maneira nenhuma esgotam a fé Reformada. No entanto, estes marcam uma distinta diferença entre ela e o Arminianismo que tem infectado a maior parte das igrejas fundamentalistas.

Os cinco pontos são lembradas por muitos através da utilização do acróstico: TULIP.

O "T" é de total depravação. Este é o ensinamento bíblico em que o homem é nascido morto em pecados, incapaz e sem vontade para qualquer bem (Rm. 3:10). Todos são culpados do primeiro pecado de Adão (Rm. 5:12). Todos só transgridem a lei de Deus por natureza (Rm. 3:23). A partir disto seguem diversas conclusões. Uma pessoa não pode "oferecer" a um pecador morto a salvação em Cristo. Também não pode ser esse "convidado" a aceitar Cristo ou aceitá-lo em seu coração. Seu estado é tal que é impossível actividade espiritual da sua parte.

O "U" representa eleição incondicional. Desde antes da fundação do mundo, Deus tem escolhido para si mesmo um povo em Cristo (Ef. 1:4). Juntamente com este fato, Deus também tem determinado a lançar outros no inferno, por causa de seus pecados (Rm. 9:21-22). Que esta eleição eterna é "incondicional" significa que Deus escolheu, não porque Ele previa que um iria acreditar, mas um acredita porque Deus o escolheu (Jo. 10:26; Rm. 8:29-30).

O "L" representa expiação limitada. A expiação é o pagamento feito por Cristo pelos pecados do seu povo (Mt. 1:21). Que é "limitada" não está a ensinar que a expiação de Cristo falta em algo. Pelo contrário isto apresenta o facto escriturístico que a expiação é limitada aos eleitos ou escolhidos de Deus (Jo. 6:44).

O "I" fala de graça irresistível. Isso enfatiza que, quando Deus vos chama a si o seu povo, e eles virão (Jo. 6:37). Vêm não involuntariamente, mas de bom grado. No entanto, a sua graça é de tal potência que a vontade dos seus eleitos é feita subserviente à Sua vontade.

O "P" é preservação dos santos. Isto significa que um escolhido, chamado e atraído a Jesus Cristo, também irá permanecer na fé e vai certamente ser levado à glória. Estes santos podem pecar gravemente e se cair por um tempo em certos pecados. Mas Deus tra-los de volta a si próprio. Aqueles por quem Cristo morreu serão certamente salvos (Fl. 1:6; Rm. 8:29-30).

As Doutrinas da Graça

A fé Reformada consistentemente afirma as "doutrinas da graça." Mais uma vez, estas são doutrinas das Escrituras. A terminologia serve para enfatizar o fato de que a salvação é uma gloriosa e total obra do nosso Deus, e não obra do homem ou do homem cooperar com Deus. Nós somos justificados pela graça através da fé (Rm. 3:24). Aqueles justificados tiveram seus pecados pagos integralmente através do precioso sangue de Jesus (Rm. 5:1). E aqueles por quem Cristo morreu, foram escolhidos por Deus desde a eternidade. Toda a salvação é totalmente o trabalho do soberano Deus. Não há então nenhum espaço para vanglória (Ef. 2:9).


Baptismo infantil

A fé Reformada segue a prática do baptismo de crentes. Isto tem sido a prática consistente dos crentes Reformados desde John Calvin. Este baptismo é baseado na verdade da Aliança de Deus, estabelecida na linha das gerações de fiéis. Nem todos os baptizados são salvos (Esaú que recebeu o sinal da circuncisão não foi salvo [Rm. 9:13]). Mas porque Deus estabelece o Seu pacto na linha de gerações (Gn. 17:7; At. 2:39), estes também recebem o sinal desse pacto e da justiça que é pela fé. Isto também é coerente com as práticas dos apóstolos que baptizaram crentes e suas famílias (At. 16:15; I Co. 1:16; At. 11:14; At. 16:31).


O credos

A fé Reformada mantém os credos como expressões do que ela confessa que a Escritura ensina. Credos não são para considerar como infalíveis. Eles, ainda assim, identificam e distinguem o que é Reformado do que não é. Os Reformados têm escrito, muitas vezes depois de grandes lutas e terríveis perseguições, as verdades que eles acreditam Escritura ensina seguramente. Os credos salientam a forma como os Reformados diferem das outras pessoas que também reclamam manter a Escritura. Por meio dos credos, os filhos dos crentes são ensinados nas doutrinas das Escrituras. Por meio dos credos as igrejas mostram a todo o mundo o que acreditam e ensinam.

Culto

A fé reformada mantém a necessidade de cultos regulares cada Sabbath. Não pertence à mente o minimizar ou negligenciar o culto de Jeová, em cultos regulares. Antes a alegria dos reformados é a de cumprir o mandato do quarto mandamento e os ensinamentos das Escrituras reunindo a cada Sabbath para adorar o nome de Deus. Eles juntam-se, não para serem divertidos, mas para glorificar o Nome que está acima de todo e qualquer outro nome.

A fé reformada mantém também o ensinamento bíblico de que a pregação da Palavra deve vir da igreja através de homens chamados por Deus para servir nesta posição importante (Rm. 10:15). A pregação é para ser o elemento central do culto. Chama-se nas Escrituras a "loucura da pregação" (I Co. 1:21), mas, ao mesmo tempo, é o modo ordenado por Deus de salvar os pecadores e fortalecer os santos (Rm. 10:14).

A Vida Santa

A fé Reformada não conduz os homens a serem descuidados ou profanos. Esta fé não considera que pode-se "pecar para que graça possa abundar" (Rm. 6:1). Porque se uma pessoa é escolhida eternamente de Deus, e porque Cristo morreu por ela, htem de haver a evidência de frutos piedosos. Verdadeiro agradecimento deve ser visto, caso contrário, não existem provas da eterna eleição. Deus escolheu o Seu povo para as boas obras (Ef. 2:10) e de maneira que devamos ser santos e sem culpa diante dele (Ef. 1:4). Não deve haver nenhuma aliança entre a luz e as trevas, entre o cristão e o mundo (II Co. 6:14). A "antítese" deve ser evidente—a distinção entre o bem e o mal é para ser visto na vida do cristão.

Missões

A fé reformada crê firmemente na convocação da igreja para sair por todo o mundo para pregar o evangelho. Ele não tem nada a ver com um "hiper-calvinismo," que levaria a negligenciar esta grande tarefa da Igreja. O próprio Jesus mandatou os discípulos e, em seguida, a igreja, para ir em todo o mundo para pregar o evangelho (Mt. 28:19). Embora seja certamente verdade que Deus irá salvar o Seu povo a quem Ele tem escolhido desde a eternidade, é igualmente verdade que Ele determinou que isto é para ser feito por meio da fiel pregação do evangelho, tanto no seio da igreja e no campo missionário. Só Deus sabe quem são dele. A igreja vai sob o mandato de Cristo, a fim de que os tais escolhidos de Deus também possam ser trazidos para a cruz de Jesus Cristo.


O Regresso de Cristo

A fé Reformada aguarda com confiança para o breve retorno de nosso Senhor Jesus Cristo sobre as nuvens do céu. Em Mateus 24 Jesus fala dos sinais que antecedem a Sua volta. Vemos esses sinais sendo cumpridos hoje. Nós não sabemos o dia ou a hora do seu regresso, mas sabemos que deve estar à mão. Isto deveria impressionar a igreja com a urgência de realizar as suas tarefas fielmente até o fim. Deve pregar a Palavra, deve evangelizar, deve ensinar as crianças, para que elas possam estar preparadas para os maus dias que vêm sobre a igreja. E a fervorosa oração da Igreja é pela vinda de Cristo: "Mesmo assim, vem Senhor Jesus, depressa!" (Ap. 22:20).

O acima exposto não é concebido de forma alguma para ser um tratado exaustivo da fé "reformada." Convém, no entanto, dar uma descrição "miniatura" daquela fé que tem sido tida por tão preciosa através dos séculos. Na base das verdades gloriosas pelas quais muitos deram as suas vidas, também teríamos desejo de buscar comunhão com aqueles que amam estas mesmas verdades, de modo a incentivar e fortalecer um ao outro na mais santíssima fé.


Fonte : cprf.co.uk